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Agridoce

Um mundo à tua medida!

Agridoce

Um mundo à tua medida!

01/01/19

Espero que em 2019 dances

Às vezes dou por mim a tentar lembrar-me da minha infância, dou por mim a olhar as fotos e a tentar lembrar-me qual era a sensação de querer constantemente engolir o mundo com os meus olhos enormes. Não me lembro de muito, mas por vezes passo por uma foto que me aquece o coração. Ali estou eu, com os meus totós desmanchados no topo da cabeça e com um vestido cor de rosa sujo e estou a dançar, a redopiar pela sala por entre as estantes e o sofá. Lembro-me de me sentir no topo do mundo e de não querer saber de mais nada.

Pergunto-me muitas vezes porque é que parei de dançar ao som da música de cada vez que a minha alma dançava, pergunto-me muitas vezes porque é que quase todos nós o deixamos de fazer.

Lá no fundo sei a resposta, porque não é socialmente aceitável, porque a vida nos encheu com seguranças e fantasmas na cabeça e com o tempo o medo tornou-se mais poderoso que tudo o resto.

Por isso decidi que 2019 vai ser o ano em que danço, decidi que vai ser o ano em que não interessa se algo é socialmente aceitável, irei fazê-lo se me fizer feliz. 2019 vai ser o ano em que sou estupidamente feliz sem regras, em que não vou ter medo de que me julguem por ser quem eu sou e por fazer aquilo que quero.

2019 vai ser o meu ano, não porque está escrito nas estrelas mas porque desta vez decidi fazer por isso.

2019 vai ser o ano em que eu danço, e, eu espero sinceramente que tu decidas que 2019 vai ser o ano em que finalmente tu danças também.

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24/12/18

O amor em dias nublados

De vez em quando, pela calada da noite abro a janela e deixo o vento despentear-me os meus já tão despenteados cabelos. A chuva a roçar-me na face como se de uma amante sorrateira se trata-se. Deixo as folhas a baterem umas nas outras e a água a cair serem a minha orquestra.
No céu escuro de dezembro procuro estrelas, elas estão lá, por de trás das nuvens que cobrem o céu com o seu manto pesado, só que, por mais que tente não as consigo ver.
Pergunto-me se o teu amor se esconde assim como as estrelas por de trás das nuvens, pergunto-me se em dias menos nublados é possível vê-lo a pulsar-te pelas veias e a fazer-te quase voar com a leveza que te enche a alma. Já o procurei vezes sem conta, nas palavras vazias que me disseste, nos beijos que sabem a tão pouco, nas tuas mãos que costumavam saber as minhas de cor.
De vez em quando juro que ainda o sinto. Sinto nas tuas palavras uma réstia de algo que prova que um dia já me soubeste amar. Às vezes, pela calada da noite pergunto-me se também estás acordado do outro lado da cidade, na tua janela. A tentar cheirar o céu como te ensinei, a pensar nas vezes que nos rimos sobre a minha tendência estúpida de quebrar coisas frágeis. Pergunto-me se sabes que quase sem querer, desta vez foste tu que quebraste o meu frágil coração.

19/12/18

Queria falar-te do que não tem conserto

Queria falar do que não tem conserto. Queria falar te das histórias de amor que não acabam em felizes para sempre e dos corações partidos e das inúmeras vezes em que o mundo é injusto. Queria falar-te das horas que passam devagar por aqueles que se sentem perdidos neste mundo onde tudo é temporário e onde ao contrário do que nos ensinaram nada dura para sempre.

Queria falar-te dos amantes que se vêm de vez em quando sobre a luz do luar mas que não se podem tocar, como se uma parede invisível os impedisse. Queria falar te da história onde o Príncipe não vai à procura da Cinderela, e onde a Bela adormecida não é salva por um beijo de amor verdadeiro. Não te queria falar das histórias felizes onde tudo resulta, queria falar-te das histórias onde tudo é real e de como os corações partem e o destino não existe e como de vez em quando não existe uma cura mágica, uma solução fácil e a vida simplesmente acontece.

Mas depois olhei para os teus olhos, os olhos que são da cor do meu café pela manhã, olhos que brilham mais que dezenas de estrelas quando olhas para mim, olhos cheios de sonhos. Olhos que me sorriem. E percebo que tinha razão, não existem felizes para sempre e tudo é temporário e nada dura para sempre e que os corações também partem, mas por vezes, por um momento, o tempo para, as estrelas alinham-se e tu abraças-me. E é nos teus braços que eu sinto como se finalmente tivesse encontrado o meu lugar. É nos teus braços que sinto, ás vezes, o paraíso.

17/12/18

O amor aos olhos de um cego

Para mim o amor sempre foi algo palpável, algo que toda a gente diz ser invisível mas que na verdade se vê.

Sempre procurei por amor nos sítios mais improváveis e sempre o encontrei, nas mãos calejadas daqueles que amaram o seu trabalho durante um bocadinho mais do que deviam, nos olhos dela que olham para os dele como se se quisesse perder neles para sempre, nos abraços apertados das amigas que nunca se querem separar e na senhora que chora ao lado da campa das pessoas que já partiram.

Enquanto o mundo encontra o amor nas palavras, em amo-tes que tantas vezes são desprovidos de qualquer sentimento, eu sempre gostei de encontrar o amor na forma como as pessoas agem. Porque ele anda por aí à espera de ser encontrado por alguém, nas esquinas das ruas solitárias e por de trás de caixas registadoras, escondido às vezes em corações silenciosos.

Mas, apercebi-me que o amor aos olhos de um cego é muito mais bonito, porque não podemos procurar por ele em ações, e de certo continuamos duvidosos das palavras, mas podemos senti-lo. O amor aos olhos de um cego são as faíscas que sentimos à superfície da pele quando sentimos a pele da pessoa que amamos a tocar-nos, o amor aos olhos de um cego é a sensação quentinha que se sente quando sabemos que alguém gosta de nós pelo que somos e não por aquilo que querem que . O amor aos olhos de um cego é cego também, sem qualquer interesse, é um amor altruísta que não precisa de ser procurado para ser encontrado.

E, por este motivo sou cega quando amo, fecho os olhos e ignoro os atos, as palavras e sigo aquilo que o meu coração diz que é o certo. Sigo aqueles que me provocam uma faísca na pele e trovoada no coração.

E, ás vezes penso para mim que se o mundo fosse um bocadinho mais cego quando ama, se todos nós aprendessemos a fechar os olhos e a sentir, talvez deixaríamos de ter de procurar por amor verdadeiro e ele encontrar-nos-ia com muita mais facilidade.

 

11/11/18

Debaixo da Torre Eiffel

Costumam dizer que para ver o mundo temos de subir a um ponto alto, temos de ver as luzinhas lá em baixo a piscar, a vida das pessoas a correr debaixo dos nossos pés. Temos de nos sentir pequenos.

Em Junho subi à Torre Eiffel, presenciei a sensação incrível de me sentir o ser humano mais pequenino do mundo mas não aprendi nada sobre o mundo, não aprendi nada sobre a vida,a vista do pôr do sol sobre a cidade da luz foi linda mas isso não me foi suficiente para sentir o infinito.

Acho que quem diz que se vê o mundo com mais claridade do topo da Torre Eiffel nunca a desceu de verdade, nunca sentiu o vento quente de julho a bater-nos na cara enquanto corremos escada abaixo a olhar a cidade nos olhos por entre os buraquinhos metálicos.

Quem diz que se vê o mundo com mais claridade do topo da Torre Eiffel nunca decidiu parar a meio da descida para apanhar o folgo e admirou as cores de azul do céu a misturarem-se com adrenalina presa no nosso coração.

A verdade é que não percebia nada sobre o mundo até descer a Torre Eiffel, até chegar por fim ao fundo das escadas e me deitar debaixo dela. 

Ali, deitada debaixo da Dama de Ferro, com o chão de cimento ainda quente a bater-me na minha pele fria percebi melhor a vida do que algum dia a tinha percebido. Ali deitada, debaixo do sítio ao qual milhões de pessoas subiram, a ouvir os passos de centenas de pessoas a ecoar nos meus ouvidos, senti paz. Não o tipo de paz momentânea que dura apenas alguns segundos para desaparecer logo a seguir mas sim a calma que se instala devagarinho no nosso coração e permanece durante muito tempo.

Ali, no coração de Paris senti como se o mundo e eu estivéssemos a dialogar, percebi que talvez os dias cinzentos não vão ficar para sempre, percebi que a paz existe algures num lugar deste mundo e sentia na ponta dos dedos como algo palpável. 

Todos nós temos a nossa Torre Eiffel, a nossa seta que mostra que afinal de contas existe uma luz ao fundo do túnel.

Foi ali, debaixo da Torre Eiffel que percebi aquilo que muitos apenas descobrem quando a sobem.

04/10/18

Je suis Charlie

Terrorismo. Por definição é o ato de provocar terror nas pessoas através do uso da violência física ou psicológica, com o intuito de intimidar uma sociedade e impingir ideologias .

Não me lembro ao certo quando ouvi o termo pela primeira vez mas lembro-me exatamente como me senti, como quando achamos que acidentalmente falhamos uma escada e a na nossa barriga cresce o friozinho que antecipa a queda. Com o tempo a palavra tornou-se tão usual mas continua a causar-me o mesmo sentimento, afinal não importa quantas vezes falhemos uma escada ficamos sempre assustados com a dor que pode vir a seguir.

Dia 15 de janeiro de 2015, estava doente, deitada no sofá quando nas notícias começaram a aparecer imagens chocantes. Charlie tinha sido assassinado simplesmente porque tinha usado o direito de expressão para fazer um cartoon da religião Islâmica. O mundo chocou-se e todos nós fomos Charlie, todos nós sentimos a dor de Charlie, todos nós sofremos uma espécie de luto não muito doloroso que durou uns dias. Com o tempo Charlie deixou de ser importante e nós por consequência deixamos de ser Charlie.

 

13 de novembro de 2015, estava a jantar com os meus pais quando um barulho alarmante veio da televisão da sala e todos fomos ver o que se passava. O terror espalhado nos olhos de quem contava as notícias. Outro atentado em França, desta vez no teatro do Bataclan. O mundo chorou com Paris e todos nós fomos Paris, porque as vítimas não mereciam morrer e a vida humana é demasiado preciosa. Milhares de flores espalharam-se pelo chão das ruas onde inocentes foram mortos, lágrimas derramadas, indignação. E depois, pouco a pouco, Paris deixou de ser o título da primeira página do jornal e todos nós a pouco e pouco deixamos também de ser Paris.

A seguir a estes atentados muitos outros se seguiram, alguns grandes outros mais pequenos mas todos imensamente chocantes e devastadores para a integridade humana.

No entanto maior parte de nós tem memória curta. Quando é que foi a última vez que algum de nós pensou sobre Paris? Sobre Bruxelas? Sobre Charlie? Sobre as Torres Gêmeas?

Porque é que só pensamos nas coisas no momento imediato em que nos afetam e não a seguir? Será que lembrar a vida humana tem data de validade?

A verdade é que não sei, mas, passe o tempo que passar uma parte de mim vai sempre ser Charlie. Uma parte de mim vai sempre ser Paris. Uma parte de mim vai sempre ser Bruxelas.

Na minha opinião nunca se está fora do prazo para se lembrar algo que nunca devia ter acontecido.

02/10/18

A vida dos outros da minha varanda

Às vezes ponho-me à varanda, com o frio da noite a bater-me na cara ou os primeiros raios do sol a aquecer-me a alma, com a chávena de café e a manta no regaço e vejo as pessoas a passar.

Pessoas que passam de forma tão apressada e absorta na sua própria vida que não dão por mim, rapazes com as mochilas às costas e de auscultadores no ouvido. Pais, mães e avós atarefados com tudo e com nada e meninas com lacinhos no topo do cabelo que saltitam pela rua fora com a felicidade por uma mão e a mãe pela outra.

Pessoas cujas vidas davam um filme, que podiam ser as protagonistas de um livro se só por uma fração de segundo as olhassemos de perto. 

Às vezes ponho-me à varanda, com o meu caderninho vermelho equilibrado numa perna e a chávena de café na outra e imagino a vida de cada uma deles.

Dos meninos que passam tão normalmente com os auscultadores nos ouvidos e um ar despreocupado mas que passaram a noite na cama a chorar por causa de uma rapariga que lhes partiu o coração e o ego frágil e os transformou numa versão de rapaz pouco parecida com eles próprios.

Dos pais, das mães, dos avós que passam num carro vermelho desbotado, nos seus olhos a preocupação de quem dormiu pouco o dia anterior porque as contas estão para pagar na mesa da cozinha e os seus três trabalhos não chegam para sustentar a casa.

Das meninas com lacinhos no cabelo, que pensa que a vida é feita de alegria e felicidade e nunca viu dor na vida mas que um dia serão magoadas por rapazes como aquele que passam com os auscultadores porque inocentemente pensaram que a maneira de curar um coração partido é partir o delas. Das meninas que levam a mãe pela mão como se adivinhassem que um dia vão ter de lhe limpar as lágrimas que escorrem enquanto ela está sentada na mesa da cozinha, a olhar para as contas e a fazer contas à vida que por essa altura devia ser muito melhor.

Da minha varanda vejo as rachas na vida dos outros, vejo a dor, vejo a forma como todos são conectados por uma linha tão tenue que às vezes parece nem existir mas que está lá a cada momento.

Da minha varanda vejo todos os finais felizes que ficaram por acontecer. Mas também vejo os que acontecem todos os dias, a senhora que pega no telemóvel e chora de alegria ao saber que vai ser avó, o rapaz que sabe que conseguiu a bolsa para ir estudar para fora e a mulher que é pedida em casamento.

Às vezes ponho-me à varanda, com o meu caderninho vermelho equilibrado numa perna e a chávena de café na outra, e imagino a vida de cada um deles que passam demasiado apressadamente para reparar em mim.

Às vezes olho para a vida dos outros pela minha varanda e pergunto-me se nos momentos em que estou no meu mundo de sonhos alguém parou a olhar para mim e imaginou a minha. 

A verdade é que nunca saberei mas é por isso que a vida é para ser vivida e não imaginada, é quando saio da varanda e paro de imaginar a vida dos outros que percebo que é tempo de viver a minha e dar a mim mesma um final feliz.

30/09/18

Recomeçar

A vida é feita de inícios e fins, feita de linhas de partida e metas.

No último ano tirei tempo para mim, tempo para passar por muitas linhas de partida e cruzar muitas metas, mas é verdade quando se diz que voltamos sempre às nossas origens e aqui estou eu, pronta a recomeçar uma etapa da minha vida que deixei inacabada.

Pronta a pegar no espaço em branco que as páginas deste blog nos oferece e transformá-lo em palavras, pronta a inspirar quem quiser ser inspirado por mim e ouvir da sabedoria de quem me quiser ensinar uma coisinha ou outra.

Durante este ano que estive fora deste espaço que continua a ser tão meu, cresci, ainda sou uma miúda que não sabe onde quer ir mas agora sei mais quem sou.

A vida é feita de aventuras, mas também é feita de aprendermos a agarrar novas sem não deixarmos as velhas irem. E aqui estou eu a agarrar de novo uma velha aventura e torná-la nova.

Espero ficar aqui por muito tempo

Com amor,

Mia

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