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Agridoce

Um mundo à tua medida!

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19/10/15

Time to say goodbye

Quando amamos alguém e o amor acaba (digo eu, que não sou nada especialista em amor, mas acho que até percebo mais ou menos como funciona) tudo se desmorona. É tempo de chorarmos durante dias seguidos até termos a coragem de nos voltarmos a levantar da cama a limparmos as lágrimas por quem já não as merece e a seguir em frente.
Se houvesse um sinónimo mais adequado para “amor” esse devia de ser “sofrimento”. Porque depois do amor acabar é só isso que resta. Depois da felicidade, da adrenalina no sangue, da paixão... fica um vazio enorme que não conseguimos preencher.
É por isso que eu digo que o amor é um sacana. É um ladrão de corações que nos faz acreditar que tudo é possível e depois nos destrói a esperança. Claro que não podemos ser tão radicais, também há aqueles amores que superam tudo e todos e que duram durante muito tempo, mas esses agora são uma aberração na natureza dos amores.
E, continuando, como eu estava a dizer à bocado... chega um dia em que temos de enfrentar o inevitável e cortar aquilo que sentíamos pela raiz antes que isso acabe por nos destruir psicologicamente. Mas como se faz isso? perguntamos todos. Também eu (que ainda por cima não sou nenhuma gurú do amor) não sei. Apenas sei que temos de acreditar que é possível e temos de seguir em frente, mas não se esqueçam... sem olhar para trás.

 

Adeus (Eugénio de Andrade)

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mão à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras
e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro!
Era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
e eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
no tempo em que o teu corpo era um aquário,
no tempo em que os meus olhos
eram peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já se não passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

 

 

Beijinhos,

Gi

 

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